
O Rito Adonhiramita
A tradição dos mestres construtores que ergueram o Templo de Salomão
A Lenda de Adoniram
Adoniram — também grafado como Adonhiram — é uma das figuras mais reverenciadas na tradição maçônica. Segundo os textos bíblicos (I Reis 4:6 e 5:14), ele foi o superintendente dos tributos e dos trabalhos forçados durante o reinado do Rei Salomão, sendo responsável pela organização dos milhares de operários que construíram o majestoso Templo de Jerusalém.
Na lenda maçônica adonhiramita, Adoniram é apresentado como o mestre arquiteto que supervisionou as obras do Templo Sagrado, organizando os trabalhadores em graus hierárquicos — Aprendizes, Companheiros e Mestres — cada um com seus sinais, palavras e toques secretos. Essa divisão tripartida ecoaria por séculos, tornando-se a base da organização maçônica tal como a conhecemos.
A tragédia central da lenda narra como Adoniram, guardião fiel dos segredos da construção sagrada, foi atacado por três companheiros traidores que desejavam obter, pela força, a Palavra Sagrada dos Mestres. Fiel ao seu juramento, Adoniram preferiu a morte a revelar os mistérios que lhe foram confiados. Seu corpo foi encontrado sob um ramo de acácia — planta que, desde então, simboliza na Maçonaria a imortalidade da alma e a fidelidade até o último suspiro.
O Rito Adonhiramita
O Rito Adonhiramita é um dos mais antigos ritos maçônicos ainda praticados no mundo. Sua origem remonta à França do século XVIII, onde foi sistematizado pelo Barão de Tschoudy em sua obra "L'Étoile Flamboyante" (A Estrela Flamejante), publicada em 1766. Este tratado fundacional compilou tradições, lendas e ensinamentos que circulavam entre os maçons franceses, organizando-os em um sistema coerente de graus e instruções.
Diferente de outros ritos que centralizam sua narrativa na figura de Hiram Abiff, o Rito Adonhiramita elege Adoniram como seu herói central, conferindo-lhe uma perspectiva singular sobre os mistérios da construção do Templo. O rito é composto por 12 graus, do Aprendiz ao Mestre Perfeito, cada um revelando camadas mais profundas de simbolismo e ensinamento moral.
Os graus do Rito Adonhiramita são:
- Aprendiz
- Companheiro
- Mestre
- Mestre Perfeito
- Eleito dos Nove (ou Mestre Eleito dos Nove)
- Eleito dos Quinze (ou Mestre Eleito dos Quinze)
- Pequeno Arquiteto (ou Mestre Menor Eleito)
- Grande Arquiteto (ou Grande Eleito)
- Cavaleiro do Real Arco
- Grande Mestre Eleito (ou Mestre da Loja)
- Cavaleiro Noaquita (ou Cavaleiro Prussiano)
- Cavaleiro Real Machado (ou Príncipe do Líbano)
Cada grau é uma câmara de reflexão, onde o iniciado é convidado a desbastar sua pedra bruta — a imperfeição humana — com o martelo e o cinzel do autoconhecimento, transformando-se gradualmente em pedra polida, apta a integrar o edifício espiritual da humanidade.